quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CONTOS SEM CLASSE - Textos Sem Curso - Snake Eye's

Dentro de uma seleção de contos tão variada, podemos sentir, de forma soberba, o estilo colorido e luminoso de Snake Eye’s. Em todos os seus trabalhos flutua de maneira quase palpável uma névoa delicada de lirismo, poesia e sentimentos, que se entrelaçam e dão relevo a cada linha e palavra, transformando seus contos, narrativas e mini-contos em viagens oníricas onde nossos corações são dominados e sujeitados à beleza das emoções. E são diversas essas emoções, são diversos os sentimentos, mas predominando sempre a emoção suscitada pelo inusitado e pelo original. Alegria, curiosidade, romantismo, lirismo, suspense, ternura, adrenalina. Não é fácil analisar a obra de Snake; não se pode resumir o que cada conto nos transmite, exceto se usarmos a palavra “emoção” como sinônimo de fantasia-magia-amor, como se essas três palavras fossem uma única. 
Nesse belo trabalho, que reúne diversos temas nos quais ela tem trabalhado nos últimos meses – e que eu posso me gabar de conhecer, já que tenho o privilégio de ter lido muitos deles – temos exemplos perfeitos do que foi dito acima. Amor, lirismo e sensibilidade afloram no conto Amores Platônicos, onde ela descreve o amor não consumado como uma espécie de lição para os jovens e adultos que se deixam atrelar às convenções sociais estéreis. Gaiola Dourada, Morte Antiquada e Fogueira de São João e Seu Antônio tem o mesmo toque lírico, em que o amor, em qualquer de suas formas, é enaltecido, seja o amor pela vida, liberdade e natureza (Gaiola Dourada), o amor pelo trabalho e pelos objetos de valor afetivo (Morte Antiquada) e o amor pela família (Fogueira de São João e Seu Antônio). 
O terror, gênero tão difundido e bem aceito, tem seu representante nesta coletânea, com os contos Demônios nas Sombras, Espuma Branca em Céu Azul e Vovô Coveiro. No primeiro, o suspense que cativa o leitor, um estremecimento de medo a cada linha, onde o impensável pode acontecer, e de fato, acontece. Espuma Branca em Céu Azul tem o tom poético entremeado de sugestivas impressões que levam o leitor, lentamente, ao desenlace súbito e assustador, mas de certa forma, muito realista. Vovô Coveiro é um mini-conto onde o terror nada tem de sobrenatural, mostrando uma dura realidade de nosso dia a dia. A ficção científica de Snake em seu representante no excelente conto Do Pó ao Pó. Uma maneira original de mostrar a FC brasileira, Snake inspirou-se nos mangás e na literatura japonesa de ficção, criando mundos pós ou pré-apocalípticos, onde a ciência e a magia se mesclam. 
Em sua tríade Metamorfoses, a magia sobrenatural está presente, bem como o Amor, novamente representado em três formas distintas e igualmente belas: Casulo & Mortalha, o amor à natureza e o esplendor da vida que renasce nas asas da borboleta e do anjo; Momento Efêmero, o amor adolescente pela magia do mundo das fadas e entes sobrenaturais; e finalmente, em Crianças de Deus, o amor aos animais, representados pelos pombos, tão injustamente maltratados pelo seres humanos.
Foi um grande prazer ler essa coletânea de Snake, e um privilégio ser a sua prefaciadora. E, tenho certeza, ninguém ficará indiferente a tantas manifestações distintas das emoções mais profundas do coração humano, presentes nos belos contos aqui escritos.
 
Edição: Clube dos Autores
86 páginas
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

GRIS - Willbert Oliveira

Em “Gris”, o poeta Wilbett Oliveira tem algo a dizer e não obstaculiza a interpretação da leitura, embora nos faça refletir. Utilizando-se da ousadia – sem cair nos velhos jargões de antigos poetas – o escritor enverga-se de disposição para sangrar o “poema derradeiro”. Ele reinventa a poesia e a transforma em algo mais tácito, fugindo da subjetividade poética para acercar-se na plenitude da objetividade dentro do (in) imaginável conflito do novo tempo.

"Em gris, Wilbett Oliveira consegue impor outro significado às palavras e cria algo único e especial: Sutileza no movimento do verso! Utilizando-se da imaginação para inventar as mais variadas “formas de realidade”, ele cria seus poemas, num contexto profundo e tocante. Desenhados no compasso de cada página: uma busca, uma lógica e a missiva aos gritos em cada página.

Sim, o poeta tem algo a dizer e sua mensagem é clara e concisa. Ele brada seu poema e não obstaculiza a interpretação da leitura com seu atrevimento e apuro, ao contrário disso, faz-nos refletir e fascinar.

Sem cair nos velhos jargões dos antigos trovadores – Wilbett enverga-se de disposição para sangrar o “poema derradeiro”. Ele reinventa a poesia e a transforma em algo mais tácito (se assim posso dizer), onde foge da subjetividade para acercar-se à objetividade dentro do (in) imaginável conflito do novo tempo..."

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Editora: Opção

88 páginas

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Insight - Roberto Campos Pellanda


"Crianças estão desaparecendo na cidade de São Paulo.
Os casos têm em comum um ponto tão perturbador quanto enigmático: todas as vítimas estão sendo atormentadas por visões de Gengis Khan.
Os detetives Paulo Westphalen e Miguel D’Andrea, da divisão de pessoas desaparecidas da polícia de São Paulo, são designados para as investigações. Apesar da sua experiência, eles logo se veem desorientados pelas características surpreendentes que o caso apresenta.
À medida que as investigações se aprofundam, os detetives têm a sua racionalidade testada. Estariam mesmo diante de um fenômeno sobrenatural como a maior parte da opinião pública acredita?
E se a verdade fosse ainda mais aterrorizante do que a aparição do fantasma de Gengis Khan?
A chave para o início da elucidação do mistério pode estar em uma descoberta improvável: Paulo e Miguel tomam conhecimento do caso da esposa de um poderoso banqueiro que se suicidou há alguns anos, também aterrorizada por visões de Gengis Khan.
Paralelamente ao desenrolar do caso, por algum motivo ainda obscuro, o racional e comedido Paulo é acometido por crises de ansiedade inexplicáveis. O quadro irá levá-lo a uma dolorosa viagem ao passado e ao episódio mais traumático da sua infância: o desaparecimento de seus pais. Desta difícil jornada pessoal, emergirão respostas surpreendentes sobre a sua própria história, que o levarão a entender por que tem dedicado a vida a procurar pessoas que desapareceram.
No desfecho das investigações, em uma madrugada de muita violência, os detetives terão que lutar para expor uma terrível conspiração que envolve espionagem industrial internacional e que tem uma perigosa ramificação no Senado Federal.
Para chegar a verdade e encontrar as crianças desaparecidas, porém, o preço a ser pago poderá ser alto demais."

Editora: Porto de Idéias
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Limiar do Surto - Rodrigo Della Santina

“O Limiar do Surto” é o segundo livro de poesias do poeta Rodrigo Della Santina, publicado pela editora Scortecci. O primeiro, sob o título de “Intertrigem”, foi publicado em Outubro de 2005 pela editora CBJE.

“O Limiar do Surto” marca uma nova era na poesia de Rodrigo Della Santina, uma vez que eleva a qualidade de seu verso, em comparação com o primeiro, e demonstra uma maturidade poética e estilística maior do que antes.
O livro, dividido em seis partes, fala, em sua essência, da própria poesia, da forma como o poeta se sente diante dela, conversando intimamente com a sua Musa, descobrindo seus anseios e temores, conscientizando-se disso, tentando, por meio dessa conscientização, aplacá-los ou ao menos minorá-los.
Dizemos “em sua essência”, pois o poeta não criou uma unidade temática no livro, mas sim uma de sensações, organizando-as de maneira que o leitor possa sentir ou perceber ao menos a unidade das mesmas, além das emoções e esperanças, todas alicerçadas no seu modo de ver a vida.
O poeta conversa também com o cisne, referindo-se ao seu último canto antes de morrer; mas, invertendo o significado da metáfora, relacionando-a com a ressurreição de Lázaro pela vontade do Cristo.
No fundo, tal metáfora é a exteriorização da necessidade do poeta em se exprimir, buscando com o labor poético conhecer-se a si mesmo, sentir-se e sentir o mundo em seu redor.

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Vida do Bebê - 2ª parte - De 40 para Frente - José Cláudio Adão.


Este é um ensaio que pretende ser, sem muito rigor, uma bem humorada crítica da vida daqueles e daquelas que já atingiram a meia idade. Meia idade entendida qui, por metade mesmo. Nada de ficar olhando no espelho antes de abrir o livro para se comparar com um passado, digamos, com a pele mais lisinha. Segundo diz o senso comum, a vida começa aos 50. E segundo diz o IBGE a expectativa de vida do brasileiro está só aumentando. Portanto, para batermos nos 80, ainda falta caminharmos muito, aprendendo e reaprendendo. Há momentos de pura ironia e há outros mais sérios, tal como o autor conduz também o seu cotidiano. Se for então verdade que a vida após os 40 está apenas começando, eis uma síntese do que nos aguarda na fase que se pretende mais madura de nossas vidas.


Editora: Biblioteca 24 x 7
Autor: José Cláudio Adão
54 páginas.
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Meninas Bonitas Não São Para Casar - Geyme Lechner Mannes

O título do livro: Meninas bonitas não são pra casar, embora nos transmita a ideia de uma obra juvenil, é um romance cruel. Ambientado no Brasil, inicialmente em 1951, a obra gira em torno de Roberta, vítima de violência sexual, protagonizada pelo próprio pai.

Roberta abre as portas do romance com a vida na cidade da Chapada diamantina, Bahia, 1951. Nesta cidade magnífica, as primeiras páginas retratam as crendices acerca do Candomblé, sonhos naufragados de adolescente, problemas familiares e as inúmeras dúvidas acerca do primeiro amor.
A protagonista da obra, é uma jovem inteligente, porém tímida: Livros e fantasias preenchem o cotidiano de seus dias, envolvendo-nos nas interpretações e dúvidas da personagem, uma garota atípica, carente e solitária. Embora inexperiente e ainda muito infantil, comparada com outras meninas de sua idade, apaixona-se pelo rapaz mais cobiçado da cidade. Torna-se alvo da inveja de muitas garotas, inclusive da própria irmã. Ignorando a plateia que se volta contra ela, inicia um namoro promissor e é pedida em casamento alguns meses depois.
Convicta de haver encontrado felicidade naquela vida sem sentido, Roberta tem seu destino marcado pelas mãos do próprio pai.
Completamente embriagado numa noite qualquer, deslumbrado com a visão de uma filha cada vez mais parecida com a esposa que tanto o despreza, ele invade o quarto de Roberta sorrateiramente e a violenta com brutalidade. Em seus pensamentos, tem a certeza de não fazer nada errado, acredita piamente que “Deus a enviara às suas mãos, para reviver os tempos em que ele e a esposa eram felizes”:

“...Seja boazinha Cristina! Não me despreze mais, tudo vai ser como antes!”. Citando o nome da esposa nos ouvidos da filha, silenciando com mãos gigantes, a dor e o sofrimento da garota.

Fragilizada e ferida, ela relata o acontecido à mãe, diante da irmã e do próprio pai que a desmente. Esperançosa de apoio e compreensão, contrariando seus anseios, a mãe a expulsa de casa.
Roberta se vê forçada a abandonar o garoto que ama para recomeçar sua vida em outro lugar.

Rio de Janeiro, 1954. A menina inocente da Bahia é enterrada para dar lugar a uma escritora determinada e ao mesmo tempo, estranha. Novos relacionamentos que naufragam e infundadas tentativas de resgatar uma pessoa que um dia fora boa. Algo neste personagem perdeu-se para sempre. Roberta inicia uma relação perigosa com um homem envolvido na política de Vargas. O insucesso de uma tentativa de assassinato ao principal opositor do presidente, obriga-o a deixar o país às pressas.
Novamente sozinha, ela parte para cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde conhece Daniel, um homem dotado de uma beleza extraordinária e uma personalidade encantadora. Roberta enxerga nele, a chance para amar e construir uma vida menos solitária.
Após envolver-se completamente nessa relação, descobre que este galanteador por quem se apaixona é casado, e tanto Clara, a esposa traída, como Roberta, estarão dispostas as mais terríveis atrocidades para não perdê-lo.

Entre a loucura de duas mulheres apaixonadas, é lançado o veredicto de um belo homem.

Editora: Lexia
Autor: Geyme L. Mannes
Páginas: 416
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domingo, 8 de agosto de 2010

Beijos & Sangue - Antologia

UMA antologia com o melhor do conto sobrenatural moderno do Brasil. Novos autores mostram o lado fantástico, sombrio e bizarro do amor: Romances de tirar o fôlego, ao mesmo tempo comoventes e assustadores. Na presente coletânea, quatorze contos apresentam mitos ligados às histórias e lendas urbanas de terror, todos com seu toque misterioso de romantismo. Beronique, Cadu Lima Santos, Celly Monteiro, Georgette Silen, Jossi Borges, M. Blannco, Priscila Mendes, Rebis Kramrisch, T. G. Lira e Yane Faria apresentam contos densos, profundos e que vão mexer com suas emoções.
Por Jossy Borges:
Essa foi uma das antologias das quais eu mais gostei, tanto de organizar, como de participar. Nomes consagrados, nomes novos, mas todos com a mesma característica: A excelência dos trabalhos.
Com a jovem autora Beronique, eu me emocinei, ao ler O Adeus... Pode um demônio amar a alma imortal de uma mulher, tanto, a ponto de fazê-la renascer?
Cadu Lima Santos, com seu surpreendente conto Jocasta, a Dama da Noite, nos deixa com um vago temor. Será que ainda é perigoso andar a desoras, mesmo nas grandes cidades...? Corre-se ainda o risco de ser abordado por um fantasma?
Celly Monteiro nos faz voar nas asas dos ventos e brisas marítimas, com seu Comandante John... e nos faz sonhar com mares proibidos, tempestades, sereias e ninfas fascinantes.
Georgette Silen, autora consagrada, nos brinda com dois contos repletos de luxúria e medo: O SeloVermelho e O Sétimo. Vampiros e lobisomens, no melhor estilo, nos transportam para as noites de lua cheia e florestas sombrias, onde o amor é o responsável pela grandeza e a queda dos protagonistas.
M. Blannco, sempre surpreendente, traz uma trágica história - Travessia - onde uma donzela apaixona-se, nos seus últimos instantes de vida, por um homem pertencente a outro mundo.
Priscila Mendes, no conto Escuridão, nos conta um episódio na vida de uma jovem... ninfa.
Rebis Kramrisch, criativa, perspicaz, nos leva para o mundo bruxo em Teatro Mágico, onde uma jovem e seu professor reencontram amor e esperança, um nos braços do outro.
T. G. Lira, em Ar de Evasão, fala de uma moça que sofre de um estranho transtorno físico-espiritual, o que a leva a fazer amizade com... nada menos que um... fantasma!
E Yane Faria, em Entre a Cruz e a Espada, revisitando contos de ficção científia, lembra o mundo de Marion Z. Bradley em sua série Darkover.
Eu, em meus contos Luar Florentino e Segredos Noturnos, dou asas à imaginação e tento me por na pele de uma simpática metamorfa-felina, e de uma vampiresa sem escrúpulos, que coloca o amor pela filha acima de qualquer coisa.
Essa seleção vai mexer com você, tenho certeza.
PREÇO: R$ 32,68 - 134 PÁGINAS
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